Mitos e verdades sobre os probióticos para a saúde

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Nos dias atuais há uma corrida em busca de probióticos para a saúde. E por conta disso, acabam surgindo muitos mitos e verdades sobre o tema.

Existe muita mitologia, muita informação dentro desse caldeirão que envolve os probióticos para a saúde.

Há também coisas que só fazem poluir esse leque de informações, trazendo o uso dos probióticos para um plano comercial e apelativo.

Por isso, preparei esse artigo em que procuro esclarecer esse tema, e como é que ocorre a norbiose a disbiose intestinal. Vamos conferir?

Como se formam os probióticos naturais

Os probióticos para a saúde são as bactérias que habitam naturalmente nosso tubo intestinal. O tubo intestinal, principalmente o intestino grosso que é onde essas bactérias habitam, é o ambiente onde estão posicionados e localizados cerca de 80% da atividade imunológica do corpo humano.

Existia um pesquisador russo, chamado Ilya Ilych Mechnikov, ganhador de Prêmio Nobel de Medicina, que disse em 1908:

“A morte começa no intestino”.

Hora, se a morte começa no intestino, é lógico que a vida também lá comece. 

Por exemplo, um bebê quando está sendo gerado no útero da sua mãe, seu intestino já não está isento de bactérias, não é completamente estéril.

Até pouco tempo atrás se pensava que o cólon de um bebê ainda no útero era isento de bactérias, e hoje já sabemos que isso não é verdade. Ele é quase estéril, mas já possui algumas bactérias.

Porém, é a partir do nascimento que ele começa a desenvolver com mais intensidade essas bactérias no intestino. 

Inclusive, por meio do parto natural, durante o nascimento pelo canal vaginal, ele terá contato com a primeira linha de bactérias que vão colonizar seu intestino, chamados de lactobacilos acidófilos. 

A partir do momento que a criança passa pelo canal vaginal, ela passa a ter esses lactobacilos em sua flora intestinal. E esses lactobacilos são a base, o alicerce, de uma flora que vai se desenvolver ao longo dos anos. 

A segunda linha de bactérias que recebemos é a Bifidobacterium Bifidum, que está localizada no leite materno. Ou seja, para que a criança tenha a base da sua flora intestinal é importante ela cumprir duas etapas: o nascimento por parto normal e a amamentação por leite materno por pelo menos um a dois anos. 

Somos mais bactérias que humanos

Com o passar do tempo essa colonização vai proliferando, outras famílias de bactérias vão surgindo até chegar a idade adulta. Por volta dos 20 anos, o ser humano possui mais células de origem não-humanas do que humanas.

Podemos inclusive dizer que um indivíduo adulto é apenas 10% humano. Se olharmos do ponto de vista quantitativo, nós temos em nosso corpo aproximadamente 10 trilhões de células humanas e cerca de 100 trilhões de bactérias, que são estruturas não-humanas.

Se olharmos do ponto de vista quantitativo, não são essas bactérias que pertencem ao nosso corpo, mas sim nosso corpo que pertencem a essas bactérias.

Quando a pessoa chega a fase adulta com esse quadro de bactérias, chamada de Normobiose intestinal, nosso intestino terá capacidade de reconhecer tudo que adentra por nossa cavidade oral.

Ao entrar pela nossa boca, tudo vai acabar lá no intestino, e lá essas bactérias saudáveis agem como sinalizadoras do sistema imunológico. Isso permitirá ao nosso corpo identificar se aquilo que consumimos é próprio ou impróprio ao sistema.

Quando tenho esse grupo de bactérias em equilíbrio, que são em torno de quatro mil famílias, e que dão origem às aproximadamente 100 trilhões de bactérias, é possível ativar automaticamente vários sistemas imunológicos e que produzirão sensação de tolerância ao que é próprio ao nosso organismo. 

Ou então haverá uma reação de anticorpos, coordenado pelas células Th2, que vão informar ao nosso sistema que aquele elemento não é adequado e ele precisa ser eliminado.

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Normobiose intestinal

Meus caros, é importante dizer que essa Normobiose intestinal, que seria o equilíbrio bacteriano em nossa flora intestinal, é um sonho. E os probióticos para a saúde precisam ser adquiridos com o tempo.

Infelizmente é pouco atingível pelo ser humano. Isso acontece porque temos ainda muitos nascimentos pela via abdominal — em partos cesáreos — e muitas mulheres não dispõem de tempo para dar a mama por um ou dois anos. 

Outros fatores são uma introdução alimentar precoce e também a introdução de antibióticos, anti-inflamatórios e anti-alérgicos. Há ainda a toxicidade alimentar, o estresse, e má qualidade do sono, e inúmeros outros fatores que contribuem para que nos dias de hoje seja um verdadeiro delírio, um devaneio, imaginar que um indivíduo vai chegar aos 20 anos com essa flora bacteriana íntegra. 

Então, uma das coisas mais importantes que preconizamos na Medicina da Longevidade é passar a abordar o paciente a partir dos seus desequilíbrios intestinais. 

Por exemplo, são esses desequilíbrios intestinais geram desequilíbrios imunológicos, que vão gerar reações imunológicas sistêmicas. E posso assegurar que a base do equilíbrio ou do desequilíbrio da saúde está diretamente ligada a um forte componente intestinal. 

Dessa forma, por meio da pesquisa da disbiose intestinal é possível fazer sua correção, em uma ação de saúde preventiva.

Os probióticos para a saúde

Por isso, devemos identificar no dia a dia o grau de disbiose, analisando pontos clínicos que indicam essa condição, mas também exames laboratoriais que podem confirmar essa disbiose. 

Com base nisso, o médico deve individualizar determinadas cepas de probióticos em uma determinada dose que seja capaz de formar colônias. Dessa forma, por meio de uma intervenção terapêutica, será possível fazer algo que a natureza e os estilos de vida não foram capaz de formar. 

Ou seja, mais que consumir probióticos, é preciso saber exatamente quais estão em desequilíbrio em nosso organismo e procurar promover sua colonização. Assim é possível corrigir esse desequilíbrio e permitir que o indivíduo possa voltar a ter uma melhor qualidade de vida.

Abaixo, compartilho um vídeo que postei em meu canal no Youtube sobre o mesmo tema.