Médicos ou prescritores: qual o nosso papel na medicina?

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médicos ou prescritores

Você, médico, também sente dúvidas se afinal somos médicos ou prescritores? Muitos de nós somos procurados pelos pacientes como se a cura estivesse na ponta da nossa caneta ao prescrever medicação, não é verdade?

Infelizmente, preciso reconhecer que este cenário triste e preocupante foi desenhado principalmente pela medicina tradicional.

Ao tirar do paciente a responsabilidade pela própria saúde, é comum que ele veja a nós como prescritores. Sua única preocupação é acabar com a dor e suas inconveniências, sem entender as consequências prejudiciais dessa atitude para a sua saúde.

Por isso, julguei necessário trazer alguns dados para fins de reflexão e também um alerta.

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Medicação desde a infância

Conforme um levantamento da Universidade de Ilinois, em Chicago, a cada cinco crianças uma já faz uso de medicamentos prescritos. E o pior: a estimativa é que uma a cada doze delas sofra com efeitos de uma interação medicamentosa prejudicial.

Para chegar a essa conclusão, mais de 23 mil crianças que vivem nos Estados Unidos tiveram suas informações coletadas por meio da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição durante mais de uma década (entre 2003 e 2014).

Esses dados são bastante alarmantes e entram em consonância com outros números bastante relevantes da Organização Mundial da Saúde, inclusive para o Brasil. É assim que estamos formando uma população fortemente medicada, desde a infância.

Antibióticos no Brasil

De acordo com a OMS, o Brasil é o 19º maior consumidor de antibióticos do mundo. Essa foi a conclusão após analisar os dados de 65 países. Além disso, existem outros dados nada animadores, como o crescimento do consumo de antidepressivos em 74% entre 2010 e 2016.

Sem dúvidas, os medicamentos existem com o propósito de curar e auxiliar o paciente em seu tratamento. No entanto, frente a números estratosféricos, seria irresponsável deixar de esboçar uma reflexão.

Afinal, somos médicos ou prescritores? Qual nosso papel na hora de tratar a dor do paciente: apenas aliviá-la de forma temporária e paliativa ou tratá-la como um sintoma sério a fim de prevenir futuras patologias?

Este é um questionamento precisa ser diário por parte de quem escolheu a medicina como profissão. Nossa atuação como médicos, em vez de meros prescritores, é de vital importância na hora de mudar esse cenário.

Até a próxima!

Ítalo Rachid

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